O Festival de Alcântara está de volta.

A 5ª edição será entre 21 a 27 de Julho de 2016 em Rosário, Bacabeira, Alcântara e São Luís.

Os melhores grupos internacionais de música barroca.

TEMA: Encontro Entre Oriente e Ocidente.

Concertos grátis, ações didáticas, conferências sobre música erudita e integração social com os melhores especialistas latino-americanos do gênero.

Uma edição excepcional para um evento internacional inédito

ENTRADA FRANCA PARA TODOS

Depois do sucesso obtido nas quatro primeiras edições do Festival, convidamos a todos para o V Festival de Música Barroca de Alcântara, de 21 a 27 de julho de 2016, com programação nas cidades de Rosário, Bacabeira, São Luís e Alcântara.

Veja alguns destaques:

The Boston Camerata
Ensemble Gaoshan Liushui
Yanqin Ensemble
Encontro Oriente com Ocidente

 

Diálogos entre o Oriente e Ocidente

A V edição do Festival de Música Barroca de Alcântara será dedicada ao tema “Diálogos musicais entre o Oriente e o Ocidente” e homenageará a música “hispano-andaluza” ou “árabe-andaluza”. Nascida da mistura de diversos ingredientes culturais, africanos e orientais a partir do século VIII na península Ibérica, a música árabe-andaluza tem influenciado a música europeia desde a Idade Média até hoje.

O Brasil, e particularmente o Maranhão, se oferecem como o lugar ideal para fomentar tais encontros musicais. Pois nas terras maranhenses convive um mosaico de gente de raízes tão diferentes. A miscigenação é a regra desde que os povos Tupinambás e Tapuia foram surpreendidos por galeões ibéricos cheios de avidez e de utopia excludente. Vale lembrar, em nossos tristes tempos de novas guerras étnicas no Oriente e na África, época moderna de sofrimento e de discriminação, de imensos cortejos de exilados nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial, que o Maranhão também acolheu várias diásporas sem rumo. Aos exilados “econômicos” voluntários se juntaram sempre ondas de imigrantes, vítimas da violência humana simbolizada pela escravidão, pelos conflitos religiosos, pelos “pogroms” de todos os gêneros e pelo estouro dos antigos impérios europeus e otomano. Peregrinos de tantos êxodos chegaram a estas terras. Africanos de várias nações, europeus sem mais fronteiras e orientais diversos como sírio-libaneses, turcos, judeus sefarditas etc, todos tiveram que reerguer-se nestas terras novas.

Uma “mistura” cujos principais ingredientes culturais, curiosamente, já haviam convivido durante mais de sete séculos na Península Ibérica, naquele antigo grande polo artístico e intelectual mundial que foram a Espanha e o Portugal islâmico: Al-Andalus. Daquele território fértil saíram os povos colonizadores espanhóis e portugueses, fundadores daquela América do Sul que tem sido chamada de Extremo Ocidente. Esta mestiçagem quer inspirar a V edição do Festival, que propagará uma mensagem de paz através das músicas antigas de várias partes do mundo (mas com um tronco comum) e tocadas por grupos vindos de países que estão hoje em conflito ou guerra entre eles. Será o Festival da inclusão e da harmonia, que deseja abrir-se e oferecer aos seus públicos acesso a novos horizontes musicais que reúnem homens e mulheres de todas as origens e não os mantém, lá como aqui, em guetos étnicos, sociais e também culturais.

Festival da Integração Social e Sul-Americana

Conhecer-se melhor através da Música Barroca

Nunca desistir: esta quarta edição do Festival de Música Barroca de Alcântara (Bacabeira, Rosário e São Luís), comprova que a perseverança se revela fundamental para transformar intenções igualitárias em ações culturais concretas.

Bem vindos a esta realidade musical diferente! Ao seu modo, nosso Festival itinerante consagra cinco anos de luta levando um gênero musical sofisticado a pessoas do interior do Maranhão que nunca tiveram a oportunidade de entrar numa sala de concerto. Oferece concertos de grupos musicais de qualidade e de renome internacional a um público com limitada oferta cultural, reconciliando com a sua rica, mas esquecida história, municípios em processo conturbado de mutação. Sobretudo oferece a uma juventude carente de modelos estéticos, e pior, éticos, novas chaves para o conhecimento e para a compreensão da complexa história da música e das artes, abrindo caminhos culturais para os jovens melhor se integrarem numa sociedade cada vez mais competitiva. Tais são os principais objetivos do Festival.

O evento mantém-se indiferente a modismos comerciais e ao cômodo clientelismo cultural dos quais, infelizmente, pouco sobra de aproveitável, como se pode comprovar observando o panorama dos últimos anos. Sem cumprir tal missão pedagógica e social – de novo com muitas ações em escolas públicas, com apresentações para jovens pacientes de câncer em São Luís e para os detentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas – , o nosso propósito musical no Maranhão seria meramente recreativo. As realidades locais obrigam a muito mais do que a somente lisonjear e agradar. Assim, o Festival cresce pouco a pouco num contexto árduo, brotando nos moldes de uma iniciativa pedagógica quase rebelde, fora de linha, mas seguindo uma estratégia consistente a médio e longo prazo, incentivando o seu público a erguer a cabeça pelo alto, nutrindo tanto os ouvidos como os corações de uma esperança sincera, atemporal e sem fronteiras.